Toda proximidade do dia das mães me lembro de uma professora inesquecível de "processos psicológicos básicos", professora Rosana Éleres. Do alto da sua mega experiência como mãe e psicóloga ela travava várias discussões eletrizantes com a turma - embora pouquíssimos aproveitassem alguma coisa, já que a maioria dos alunos da UNAMA só pensam em compras. Em uma dessas discussões eu disse pra ela que não tinha instinto materno, minhas colegas loucas pra casar, ter filhos e uma vida de Barbie ficaram espantadas, ela virou pra mim e disse: - Eu tb não tenho!!!!
Hoje quase 10 anos se passaram, tenho dois filhos, e mais do que nunca acredito que NÃO, EU NÃO TENHO INSTINTO MATERNO!!!!! Amo meus filhos, sou uma excelente educadora - tipo super Nany -, sou carinhosa e tudo mais. Mas sim, perco facilmente a paciência, já pensei muitas vezes em "se me arrependi da maternidade", já tirei férias dos filhos, desmamei os dois muito cedo - odeio amamentar e não acredito nas mulheres que dizem que é uma maravilha. Não, não é. A criança fica dependente, a mulher passa a não ter vida própria, fica sempre fedendo porque o leite é pitiu, não dorme mais, o peito despenca - pelo menos o meu despencou, etc. A única coisa pior que amamentar é aniversário de criança!!! E sim, eu assumo. Odeio a hipocrisia de que diz algo que não faz só porque socialmente é o que deveria fazer. Apesar de não ter amamentado e querer férias dos filhos sou uma excelente mãe e totalmente realizada.
Depois que meus filhos nasceram eles viraram prioridade, principalmente depois do segundo. Enjoei das saídas, das bebidas e do cigarro - não que eu os tenha abandonado em definitivo. Passo todo meu tempo livre com as crianças - e com os livros. Gasto o que, literalmente, não posso, por eles. E sou tão feliz como antes, ou mais. Eu e minha melhor amiga, Patrícia - tenho que especificar porque ela é ciumenta - brincávamos antes que tínhamos uma vida vazia, agora ela é "cheia" demais. Justamente porque sou uma mãe presente viajo sem neuras sem eles, tiro um dia inteiro pra estudar e vou colocar silicone no peito em julho, porque ser mãe não desqualifica o fato de eu ser mulher!! E uma mulher turbinada.
Sim, em mim instinto materno não existe: quando minha primeira filha nasceu eu não sabia carregar, não sabia cortar a unha, não sabia limpar... fui aprendendo com a experiência, como acredito que a maioria das mães. Mas, embora não seja freudiana, meu amigo, instinto materno não existe, mas complexo de Édipo e Electra brincam de pira na minha casa.
Feliz dia das mães, pras mães, pras madrinhas - mães, pras babás-mães, pras tias-mães, pras avós-mães, pros pais que fazem papel de mães e pra todo mundo que curte as datas inventadas pelo capitalismo, como EU.
terça-feira, 7 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Páginas do meu folhetin.
Sim, então um blog é isto? Ainda não sei se estou fazendo o certo, mas vamos lá.
Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e sinto muita falta delas.
Até que um trauma-romance já na vida adulta me vez criar aversão a diários.
Muito tempo depois vieram os orkuts e facebooks, tão impessoais que não dá vontade de escrever nada. As pessoas são todas, simplesmente, muito felizes... "American of life"... acho que não tenho uma vida suficientemente perfeita pras páginas sociais.
Alias, falando nela, sempre achei que minha vida daria um livro ou que poderia escrever uma coluna tipo sex and the city, depois, muito depois - com a maternidade - comecei a achar minha vida sem graça, igual a de todas as mulheres que aceitam as convenções sociais. Bom, então se nada interessante - folhetinesco a la Francisco Buarque - eu teria pra contar, pra que escrever?
Hoje sei que não sou mais tão descolada, mas continua sendo muito pouco convencional.
Comecei a pensar num blog quando muitas amigas disseram: - "fazendo doutorado, com um filhos recém nascido, é possível? Precisas compartilhar a experiência. ". É possível, mas pra uma CDF é muito difícil aceitar que não tenho mais a mesma disponibilidade. Pra uma mãe é difícil aceitar que gosto mais de estudar do que da maternidade. Pra malhadora, é difícil ainda não estar em forma.
Muito prazer.
Estou na casa dos 30, tenho dois filhos, dois empregos, pouco tempo, muitas neuroses.
Faço doutorado em História, sou marxista, materialista, fascinada pelas revoluções e pesquisadora de literatura paraense. Mas destoo totalmente dos marxistas. No momento, além de Raymond Williams e Thompson, tenho um seminário sobre escola social inglesa, só penso em "silicone no peito". Por isso acho dificílimo me definir, então fico com uma resposta que dei pra um professor na psicologia. Sim, sou uma historiadora que também fez psicologia, por diversão. Ele disse: - Maíra, eu te acho uma moça muito safa, mas só vou realmente te levar a sério quando "embarangares." Eu:- Prof. É mais fácil eu "emburrecer".
Então trataremos de assuntos variados, de boa forma, silicone, cabelo, botox à literatura, Proust, Rilke, Marx, Thompson, Skinner, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, Ruy Barata...
Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e sinto muita falta delas.
Até que um trauma-romance já na vida adulta me vez criar aversão a diários.
Muito tempo depois vieram os orkuts e facebooks, tão impessoais que não dá vontade de escrever nada. As pessoas são todas, simplesmente, muito felizes... "American of life"... acho que não tenho uma vida suficientemente perfeita pras páginas sociais.
Alias, falando nela, sempre achei que minha vida daria um livro ou que poderia escrever uma coluna tipo sex and the city, depois, muito depois - com a maternidade - comecei a achar minha vida sem graça, igual a de todas as mulheres que aceitam as convenções sociais. Bom, então se nada interessante - folhetinesco a la Francisco Buarque - eu teria pra contar, pra que escrever?
Hoje sei que não sou mais tão descolada, mas continua sendo muito pouco convencional.
Comecei a pensar num blog quando muitas amigas disseram: - "fazendo doutorado, com um filhos recém nascido, é possível? Precisas compartilhar a experiência. ". É possível, mas pra uma CDF é muito difícil aceitar que não tenho mais a mesma disponibilidade. Pra uma mãe é difícil aceitar que gosto mais de estudar do que da maternidade. Pra malhadora, é difícil ainda não estar em forma.
Muito prazer.
Estou na casa dos 30, tenho dois filhos, dois empregos, pouco tempo, muitas neuroses.
Faço doutorado em História, sou marxista, materialista, fascinada pelas revoluções e pesquisadora de literatura paraense. Mas destoo totalmente dos marxistas. No momento, além de Raymond Williams e Thompson, tenho um seminário sobre escola social inglesa, só penso em "silicone no peito". Por isso acho dificílimo me definir, então fico com uma resposta que dei pra um professor na psicologia. Sim, sou uma historiadora que também fez psicologia, por diversão. Ele disse: - Maíra, eu te acho uma moça muito safa, mas só vou realmente te levar a sério quando "embarangares." Eu:- Prof. É mais fácil eu "emburrecer".
Então trataremos de assuntos variados, de boa forma, silicone, cabelo, botox à literatura, Proust, Rilke, Marx, Thompson, Skinner, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, Ruy Barata...
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