Ontem vi sem querer alguns episódios de sex and the city e lembrei muito da minha vida pregressa, ou como costumo dizer "da minha outra vida". Algumas coisas são caricaturadas e na vida das personagens as possibilidades são bem maiores de encontrar um cara bacana, pelo menos maiores do que as que vejo hoje, pelo menos em Belém, mas é tudo ainda muito difícil, nunca pensei que um dia iria dizer isto, mas chego a agradecer por não ser mais solteira, apesar de todos os problemas que existe em um casamento, que gente, existe, mesmo os que fingem que não existe! Até na família margarina, um dia a margarina azeda.
O importante é saber não passar da validade.
Fiquei pensando também nos livros e filmes que vi relacionados ao seriado, que colecionei, claro. Ainda mais porque cheguei a conhecer algumas "lendas urbanas": a menina que o cara só comia e que acabou casando com outra, mas que não deu certo e um dia ele voltou pra ela, casou, teve filho e depois de alguns percalços vivem bem. A outra que era maravilhosa e que o cara também só ficava, despertava o interesse de várias em volta e ela despachou, um dia eles voltaram e também despois de alguns percalços se entenderam, ele se apaixonou e casou. Conheço também o caso do casal que era difícil demais de se envolver, um dia se encontraram, se apaixonaram, tiveram filho, separaram, brigaram muito e quando o fim tinha se instalado, eles voltaram, e vivem muito bem. Meu caso é o terceiro, mas os outros ninguém me contou, eles realmente existem e fizeram de alguma forma parte da minha vida, de maneira bem próxima. E o que estas três mulheres tem em comum, é o fato de nunca terem desistido do amor, além de sorte e boas escolhas.
"Do muito que eu li, do pouco que eu sei, nada me resta... ou resta?"
domingo, 27 de outubro de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Pós-graduações, laptop cor de rosa e silicone: um pouco de mim.
Eu, realmente, com toda a sinceridade do mundo, nunca liguei para o que os outros achavam de mim, mas com o tempo e as pós-graduações, comecei a brinca um pouco com minhas contradições, com o propósito mesmo do choque social e da minha diversão pessoal.
Transito em dois mundos bem diferentes, sempre foi assim devido a boa situação financeira dos meus pais e o fato de eu ter escolhido uma profissão que geralmente classe média não escolhe, especialmente porque os pais não aceitam- tive muitos problemas em casa quando decidir ser professora.
Tenho amigos dos mais PSDBistas, aos mais PSOL, dos mais "alienados aos mais politizados", dos mais cults aos mais tô nem aí. Não me acho das mais politizadas, mas tenho plena convicção sempre que vou votar. Escolho sempre candidatos que acho que vai fazer alguma coisa pelos mais necessitados, porque acho que a minha vida é muito boa perto da vida da maioria e não preciso muito mais do que isso...
Ao mesmo tempo que meu mês nunca fecha no azul, porque embora meu discurso socialista, eu gasto sempre mais do que posso. Gosto de roupa, sapato, biju, bolsas, tratamento de beleza, todossss tratamentos possíveis. Meu cabelo é do mais caros, porque mantenho um loiro descolorido sem nenhum fio quebrado, e meus fios são muito fininhos, então é uma operação REDKEN diária. Além, disso gosto de comprar, sempre gostei, e não necessariamente pra mim. Compro pra todo mundo, adoro dá presente, fazer supermercado etc. Sempre preciso de tudo.
Mas não sou nada fresca. Fora o ar condicionado que nunca é desligado - odeio calor, mas eu pago a luz em casa - sou bem básica. Saiu sem maquiagem - mas nunca sem protetor -, me arrumo em minutos, uso óculos na boa - alias, tenho vários, costumo combinar com as roupas- , não gosto de salto e compro roupas em lojas populares do tipo C e A. Tenho uma única grande frescura obsessiva: o corpo perfeito, aliás o que seria perfeito pra mim. Para isso, ou quando isso começou, eu malhei, malhei muito, fiz tratamentos estéticos, usei muita cinta, até um dia reconhecer que precisava de uma lipo pra diminuir o quadril. Juntei a grana, dando muita aula de história nos interiores, discutindo muito marxismo, e fiz. Mas quanto melhor ficamos, mas obcecada nos tornamos pelo corpo perfeito.
Nas minhas duas gravidez eu chutei o pau da barraca. A gordinha dentro de mim falou mais alto. Mas 1 mês depois de parir os filhos a malhadora voltou a tona. Hoje eu sei que tive todos os filhos que queria ter, e só uma historiadora refinada e com muita classe colocaria o nome da filha de "Helena" de Tróia e do filho de "Ernesto" Guevara, contra tudo e todos. Depois dos pequenos exemplos do meu amor historiográfico vou fazer mais uma intervenção: silicone no peito. Cirurgia marcada, confirmada, paga. Eu não poderia estar mais feliz. Mereço um peito bonito depois de todos esses anos acordando de madrugada pra ir malhar, deixando filhos pequenos para não embarangar, usando cinta dia e noite pra barriga voltar pro lugar. Eu, a tatoo que vou fazer, minha autoestima, maridón e o mundo merecem uma Maíra turbinada, sou mais feliz e disposta assim.
O que a pós-graduação tem a ver com isso?? Sempre destoei muito dos alunos do meu curso, tanto na graduação como na pós. Fiz muitos amigos, mas só depois que eles me conheciam melhor, porque sempre pairava dúvida sobre : - O que essa loira que só fala em regime e malhação tá fazendo aqui? Participei recentemente de um Congresso em Letras, depois de professores de várias regiões terem apresentando seus trabalhos fui apresentar o meu. Salto alto, pantalonada fashion, laptop cor de rosa e narizes tortos pra mim, até eu abrir a boca e pega pressão falando sobre Modernismo, Engajamento Político, Anticomunismo, Experiência dos Literatos no comunismo, Imaginário Social, etc. Depois tive que escutar um grupo me dizendo: - Maíra, nós lemos muito tua dissertação e já tínhamos te imaginado de todas as formas... Eu completo, pra nós, não pra eles, "menos da forma como eu sou".
Sei que a busca da boa forma atrapalha minha vida acadêmica e vice-versa, tanto que ainda não estou completamente em forma pós-parida - tudo bem que fazem apenas 4 meses que pari - porque estou priorizando as disciplinas do doutorado, mas eu não sei ser de outra forma. Muitas vezes provoco situações, a do congresso poderia ser evitada, eu poderia ter ido com mais cara de professora como vou pra universidade onde trabalho, mas me divirto com os estereótipos criado pelas pessoas, e adoro não me enquadra neles.
Lembro de uma professora de matemática que deu aula comigo pela UVA em Santarém e que ficou muito feliz e espantada quando eu disse: -ei, não te preocupa, nao desliga a tv não, eu assisto BBB e amo. Meu marido muitas vezes já me pediu pra conversar sobre as coisas que estudo com os outros quando a gente saí, mas eu, sinceramente, acho muito pedantismo, a não ser que a conversa surja naturalmente, o que é bem improvável numa mesa de bar na sacanagem do santo relaxamento. Deixo os livros pra sala de aula, pros Congressos, pros debates em casa, pra orientações dos meus alunos e pras orientações com a minha orientadora.
No momento, embora tenha dois artigos pra escrever, meu mundo se resume em "peitos turbinados". E que venha dia 1 de julho.
Transito em dois mundos bem diferentes, sempre foi assim devido a boa situação financeira dos meus pais e o fato de eu ter escolhido uma profissão que geralmente classe média não escolhe, especialmente porque os pais não aceitam- tive muitos problemas em casa quando decidir ser professora.
Tenho amigos dos mais PSDBistas, aos mais PSOL, dos mais "alienados aos mais politizados", dos mais cults aos mais tô nem aí. Não me acho das mais politizadas, mas tenho plena convicção sempre que vou votar. Escolho sempre candidatos que acho que vai fazer alguma coisa pelos mais necessitados, porque acho que a minha vida é muito boa perto da vida da maioria e não preciso muito mais do que isso...
Ao mesmo tempo que meu mês nunca fecha no azul, porque embora meu discurso socialista, eu gasto sempre mais do que posso. Gosto de roupa, sapato, biju, bolsas, tratamento de beleza, todossss tratamentos possíveis. Meu cabelo é do mais caros, porque mantenho um loiro descolorido sem nenhum fio quebrado, e meus fios são muito fininhos, então é uma operação REDKEN diária. Além, disso gosto de comprar, sempre gostei, e não necessariamente pra mim. Compro pra todo mundo, adoro dá presente, fazer supermercado etc. Sempre preciso de tudo.
Mas não sou nada fresca. Fora o ar condicionado que nunca é desligado - odeio calor, mas eu pago a luz em casa - sou bem básica. Saiu sem maquiagem - mas nunca sem protetor -, me arrumo em minutos, uso óculos na boa - alias, tenho vários, costumo combinar com as roupas- , não gosto de salto e compro roupas em lojas populares do tipo C e A. Tenho uma única grande frescura obsessiva: o corpo perfeito, aliás o que seria perfeito pra mim. Para isso, ou quando isso começou, eu malhei, malhei muito, fiz tratamentos estéticos, usei muita cinta, até um dia reconhecer que precisava de uma lipo pra diminuir o quadril. Juntei a grana, dando muita aula de história nos interiores, discutindo muito marxismo, e fiz. Mas quanto melhor ficamos, mas obcecada nos tornamos pelo corpo perfeito.
Nas minhas duas gravidez eu chutei o pau da barraca. A gordinha dentro de mim falou mais alto. Mas 1 mês depois de parir os filhos a malhadora voltou a tona. Hoje eu sei que tive todos os filhos que queria ter, e só uma historiadora refinada e com muita classe colocaria o nome da filha de "Helena" de Tróia e do filho de "Ernesto" Guevara, contra tudo e todos. Depois dos pequenos exemplos do meu amor historiográfico vou fazer mais uma intervenção: silicone no peito. Cirurgia marcada, confirmada, paga. Eu não poderia estar mais feliz. Mereço um peito bonito depois de todos esses anos acordando de madrugada pra ir malhar, deixando filhos pequenos para não embarangar, usando cinta dia e noite pra barriga voltar pro lugar. Eu, a tatoo que vou fazer, minha autoestima, maridón e o mundo merecem uma Maíra turbinada, sou mais feliz e disposta assim.
O que a pós-graduação tem a ver com isso?? Sempre destoei muito dos alunos do meu curso, tanto na graduação como na pós. Fiz muitos amigos, mas só depois que eles me conheciam melhor, porque sempre pairava dúvida sobre : - O que essa loira que só fala em regime e malhação tá fazendo aqui? Participei recentemente de um Congresso em Letras, depois de professores de várias regiões terem apresentando seus trabalhos fui apresentar o meu. Salto alto, pantalonada fashion, laptop cor de rosa e narizes tortos pra mim, até eu abrir a boca e pega pressão falando sobre Modernismo, Engajamento Político, Anticomunismo, Experiência dos Literatos no comunismo, Imaginário Social, etc. Depois tive que escutar um grupo me dizendo: - Maíra, nós lemos muito tua dissertação e já tínhamos te imaginado de todas as formas... Eu completo, pra nós, não pra eles, "menos da forma como eu sou".
Sei que a busca da boa forma atrapalha minha vida acadêmica e vice-versa, tanto que ainda não estou completamente em forma pós-parida - tudo bem que fazem apenas 4 meses que pari - porque estou priorizando as disciplinas do doutorado, mas eu não sei ser de outra forma. Muitas vezes provoco situações, a do congresso poderia ser evitada, eu poderia ter ido com mais cara de professora como vou pra universidade onde trabalho, mas me divirto com os estereótipos criado pelas pessoas, e adoro não me enquadra neles.
Lembro de uma professora de matemática que deu aula comigo pela UVA em Santarém e que ficou muito feliz e espantada quando eu disse: -ei, não te preocupa, nao desliga a tv não, eu assisto BBB e amo. Meu marido muitas vezes já me pediu pra conversar sobre as coisas que estudo com os outros quando a gente saí, mas eu, sinceramente, acho muito pedantismo, a não ser que a conversa surja naturalmente, o que é bem improvável numa mesa de bar na sacanagem do santo relaxamento. Deixo os livros pra sala de aula, pros Congressos, pros debates em casa, pra orientações dos meus alunos e pras orientações com a minha orientadora.
No momento, embora tenha dois artigos pra escrever, meu mundo se resume em "peitos turbinados". E que venha dia 1 de julho.
domingo, 9 de junho de 2013
"E o tempo senhor dos enganos?"
Essa semana meu projeto do doutorado foi a bola da vez. O debatedor foi o meu ex querido orientador Aldrin Moura Figueiredo, que é tão brilhante que prefiro que ele não seja meu orientador no doc. porque vou ficar mais neurótica ainda querendo ler um terço do que ele leu.
Dentre inúmeras e maravilhosas contribuições ele me deixou muito feliz em reafirmar que meu projeto era importante, interessante e viável - passei a questionar tudo isso após a sabatina que peguei da banca antes da aprovação, só lembrando que eu estava com 7 meses de grávida - mas que eu deveria refinar minha leitura, o que quer dizer que além do marxistas eu deveria enveredar pela hermenêutica e pela fenomenologia, já que quero trabalhar a percepção dos literatos modernistas paraenses sobre a cidade. Sim, esse projeto é meu orgulho e meu xodó, de tudo que estudei até hoje nada me dar mais prazer do que ler a Cidade através da Literatura, e a cidade nos ano de 1920.
Conheço muito pouco de hermenêutica. Uma das abordagens da psicologia fez eu ler muito fenomenologia, mas logo me encantei pelo Sartre e foquei no Existencialismo engajado. Algo mais próximo do que o Aldrin me indicou eu li no Benedito Nunes, um livrinho dele sobre o tempo, e desde terça-feira pra onde olho ou no que penso me lembro do tempo e do livro e que eu preciso estudar.
O tempo me serviu pra muitas coisas. Fico pensando no quanto, um tempo depois, alguns comportamentos ficam parecendo tão bobos... Quanto tempo perdemos brigando com namorados ou maridos por amenidades do dia a dia, ou quanto tempo perdemos nos afastando de pessoas queridas por falta de tempo, ou quanto o tempo nos amadurece pra que nos leve a reconhecer o quanto nos perdemos nas nossas próprias inconsequências. Nesse sentido acho o tempo um grande aliado, ele não só não é o senhor dos enganos como ele nos mostra que é o senhor da luminosidades.
Ai, tem coisas que o tempo, ou seja, um distanciamento temporal, fez com que eu quisesse que o tempo apagasse de uma vez por todas: gente, usei calça da gang, dancei axé horrores, fui fã do Nosso Tom, já fui pra um pagode de saída de praia, desfilei na finada Spectron, quebrei um dente em Algodoal, e já tive cada ressaca de dor de cabeça de gim e moral que só o tempo pra me salvar e algumas pessoas pra me perdoar...
Também acho que fiquei melhor em muitos aspectos com o tempo: dou um valor maior à família, à saúde, aos amigos, ao outro de modo geral; fiquei mais disciplinada, determinada, focada; incrivelmente acho que a minha alergia melhorou; também me tornei uma mãe e uma esposa melhor com o tempo - mas não posso dizer a mesma coisa de como dona de casa, as aulas do São Paulo de "educação para o lar" não serviram pra nada, e é verdade, eu tinha essa matéria na sexta série. Esteticamente não tenho dúvidas que fiquei melhor com o tempo, nada que uma excelente cirurgiã e uma cabeleireira top não resolvam.
Mas em algumas coisas eu acho que piorei: tô cada vez mais medrosa - odeio ver jornal, violência, e os horrores contra criança, e sei que passo o medo pros meus filhos; o tempo me fez mais insegura com o espelho, embora me ache melhor que antes nunca é suficiente - sempre acho que tem algo pra arrumar - antes eu era bem mais resolvida; acho que fiquei mais ciumenta com o tempo também, se bem que não sei não, eu sempre fui muitooooooooooo ciumenta, faz parte do meu charme mulher-neurótica-do século XXI. Meu querido marido diz que mulher bonita pode ser neurótica e um pouco chata, às vezes. Aí chegando num ponto, acho que fiquei mais chata pra um monte de coisas depois dos 30... "Quando a idade chegar não tem como não deixar transparecer..." A chatice tem a ver com as exigências, com muitas novas exigências...
Quando vejo meus filhos, penso muito no tempo. Lembro da minha infância mega feliz e revivo muito com eles, lembro da minha adolescência sem crises existenciais - mas com muito axé - dos meus anos de Universidade Federal e Universibar, do meu primeiro emprego no Sophos, das farras em Algodoal e Bragança, de tantas coisas bacanas que vivi e tantos amigos que fiz na vida que não consigo lembrar de nenhuma fase ruim, só de muitas histórias pra contar durante todo esse tempo...
Pretendo estudar hermenêutica, decadentismo na cultura ocidental e lembrar muitas histórias felizes, que marcaram as rugas que "detesto" no meu rosto... Nada que um botox não vá resolver daqui a algum tempo, já sobre as calças da gang, ficaram lá bem atrás, num tempo esquecível :-).
Dentre inúmeras e maravilhosas contribuições ele me deixou muito feliz em reafirmar que meu projeto era importante, interessante e viável - passei a questionar tudo isso após a sabatina que peguei da banca antes da aprovação, só lembrando que eu estava com 7 meses de grávida - mas que eu deveria refinar minha leitura, o que quer dizer que além do marxistas eu deveria enveredar pela hermenêutica e pela fenomenologia, já que quero trabalhar a percepção dos literatos modernistas paraenses sobre a cidade. Sim, esse projeto é meu orgulho e meu xodó, de tudo que estudei até hoje nada me dar mais prazer do que ler a Cidade através da Literatura, e a cidade nos ano de 1920.
Conheço muito pouco de hermenêutica. Uma das abordagens da psicologia fez eu ler muito fenomenologia, mas logo me encantei pelo Sartre e foquei no Existencialismo engajado. Algo mais próximo do que o Aldrin me indicou eu li no Benedito Nunes, um livrinho dele sobre o tempo, e desde terça-feira pra onde olho ou no que penso me lembro do tempo e do livro e que eu preciso estudar.
O tempo me serviu pra muitas coisas. Fico pensando no quanto, um tempo depois, alguns comportamentos ficam parecendo tão bobos... Quanto tempo perdemos brigando com namorados ou maridos por amenidades do dia a dia, ou quanto tempo perdemos nos afastando de pessoas queridas por falta de tempo, ou quanto o tempo nos amadurece pra que nos leve a reconhecer o quanto nos perdemos nas nossas próprias inconsequências. Nesse sentido acho o tempo um grande aliado, ele não só não é o senhor dos enganos como ele nos mostra que é o senhor da luminosidades.
Ai, tem coisas que o tempo, ou seja, um distanciamento temporal, fez com que eu quisesse que o tempo apagasse de uma vez por todas: gente, usei calça da gang, dancei axé horrores, fui fã do Nosso Tom, já fui pra um pagode de saída de praia, desfilei na finada Spectron, quebrei um dente em Algodoal, e já tive cada ressaca de dor de cabeça de gim e moral que só o tempo pra me salvar e algumas pessoas pra me perdoar...
Também acho que fiquei melhor em muitos aspectos com o tempo: dou um valor maior à família, à saúde, aos amigos, ao outro de modo geral; fiquei mais disciplinada, determinada, focada; incrivelmente acho que a minha alergia melhorou; também me tornei uma mãe e uma esposa melhor com o tempo - mas não posso dizer a mesma coisa de como dona de casa, as aulas do São Paulo de "educação para o lar" não serviram pra nada, e é verdade, eu tinha essa matéria na sexta série. Esteticamente não tenho dúvidas que fiquei melhor com o tempo, nada que uma excelente cirurgiã e uma cabeleireira top não resolvam.
Mas em algumas coisas eu acho que piorei: tô cada vez mais medrosa - odeio ver jornal, violência, e os horrores contra criança, e sei que passo o medo pros meus filhos; o tempo me fez mais insegura com o espelho, embora me ache melhor que antes nunca é suficiente - sempre acho que tem algo pra arrumar - antes eu era bem mais resolvida; acho que fiquei mais ciumenta com o tempo também, se bem que não sei não, eu sempre fui muitooooooooooo ciumenta, faz parte do meu charme mulher-neurótica-do século XXI. Meu querido marido diz que mulher bonita pode ser neurótica e um pouco chata, às vezes. Aí chegando num ponto, acho que fiquei mais chata pra um monte de coisas depois dos 30... "Quando a idade chegar não tem como não deixar transparecer..." A chatice tem a ver com as exigências, com muitas novas exigências...
Quando vejo meus filhos, penso muito no tempo. Lembro da minha infância mega feliz e revivo muito com eles, lembro da minha adolescência sem crises existenciais - mas com muito axé - dos meus anos de Universidade Federal e Universibar, do meu primeiro emprego no Sophos, das farras em Algodoal e Bragança, de tantas coisas bacanas que vivi e tantos amigos que fiz na vida que não consigo lembrar de nenhuma fase ruim, só de muitas histórias pra contar durante todo esse tempo...
Pretendo estudar hermenêutica, decadentismo na cultura ocidental e lembrar muitas histórias felizes, que marcaram as rugas que "detesto" no meu rosto... Nada que um botox não vá resolver daqui a algum tempo, já sobre as calças da gang, ficaram lá bem atrás, num tempo esquecível :-).
"Do muito que eu li, do pouco que eu sei, nada me resta... ou resta?": Páginas do meu folhetin.
"Do muito que eu li, do pouco que eu sei, nada me resta... ou resta?": Páginas do meu folhetin.: Sim, então um blog é isto? Ainda não sei se estou fazendo o certo, mas vamos lá. Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e si...
sábado, 8 de junho de 2013
"Numa saideira muita saudade/ e a leve impressão de que já vou tarde..."
Nada me deixa mais triste na vida do que uma família desfeita...
Não sei se porque sou filha de pais separados, se porque vi a minha mãe definhar por amor - embora ela tenha decidido o fim da relação sem nenhum motivo aparente, com exceção do fato de ela não querer morar em Manaus -, tb vi meu pai sofrer, fiquei no meio de uma relação cheia de mágoas e acusações durante anos; ou se porque hoje, depois de muitas dificuldades de toda e qualquer relação, eu tenho uma família maravilhosa, mas de verdade, ou seja, bem longe de ser um conto de fadas. Meu marido é meu amigo, meu parceiro, meu colega de trabalho, de estudo, meu amante, meu mundo, meu tudo. E Isso é muito difícil de admitir, porque sempre fui uma mulher autossuficiente. Já nos separamos uma vez por pura imaturidade nossa - confesso que mais minha-, mas foi uma separação tão produtiva - com exceção das perdas financeira - que hoje sei que foi a melhor coisa que nos aconteceu, apesar de termos sofrido muito. Hoje confio nele plenamente e no que sentimos um pelo outro e não tenho mais medo de não me bastar...
Voltando ao "Neruda que vc me tomou e nunca leu..." fico muito abalada quando uma relação termina, especialmente se há crianças envolvidas. Não consigo entender como um homem saí de casa por farras, ou amantes, ou seja lá o que for. Como se abandona uma família assim?? Depois de tanto sonhos, cumplicidades, anos dedicados a uma relação. Ainda mais quando a mulher é bacana, inteligente, apaixonada, companheira, boa mãe e lindíssima. Sei que só quem vive as relações sabem o que nelas tem e o que delas querem ou não, mas acho que muitos se deixam por impulso, ou por pequenas coisas do cotidiano, pelos estresses do dia a dia, por vaidade, por egoísmo, enfim, por coisas que uma boa conversa e boa vontade resolveriam.
Hoje tô muito triste por uma família que foi desfeita e pelo fato de um dos pares já ter outro par... fica aquela história "que o que tiver que ser será", mas quando um dos dois assume uma terceira pessoa a probabilidade da volta fica bem distante e a mágoa aumenta muito. Não voltaria em hipótese alguma nestas condições, não sei perdoar, não consigo esquecer e acho que mereço mais da vida, mereço o que toda mulher merece, ser especialmente a ÚNICA.
Espero que tudo fique bem pro ex casal em questão e que ambos tenham feito as escolhas certas.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Instinto Materno???
Toda proximidade do dia das mães me lembro de uma professora inesquecível de "processos psicológicos básicos", professora Rosana Éleres. Do alto da sua mega experiência como mãe e psicóloga ela travava várias discussões eletrizantes com a turma - embora pouquíssimos aproveitassem alguma coisa, já que a maioria dos alunos da UNAMA só pensam em compras. Em uma dessas discussões eu disse pra ela que não tinha instinto materno, minhas colegas loucas pra casar, ter filhos e uma vida de Barbie ficaram espantadas, ela virou pra mim e disse: - Eu tb não tenho!!!!
Hoje quase 10 anos se passaram, tenho dois filhos, e mais do que nunca acredito que NÃO, EU NÃO TENHO INSTINTO MATERNO!!!!! Amo meus filhos, sou uma excelente educadora - tipo super Nany -, sou carinhosa e tudo mais. Mas sim, perco facilmente a paciência, já pensei muitas vezes em "se me arrependi da maternidade", já tirei férias dos filhos, desmamei os dois muito cedo - odeio amamentar e não acredito nas mulheres que dizem que é uma maravilha. Não, não é. A criança fica dependente, a mulher passa a não ter vida própria, fica sempre fedendo porque o leite é pitiu, não dorme mais, o peito despenca - pelo menos o meu despencou, etc. A única coisa pior que amamentar é aniversário de criança!!! E sim, eu assumo. Odeio a hipocrisia de que diz algo que não faz só porque socialmente é o que deveria fazer. Apesar de não ter amamentado e querer férias dos filhos sou uma excelente mãe e totalmente realizada.
Depois que meus filhos nasceram eles viraram prioridade, principalmente depois do segundo. Enjoei das saídas, das bebidas e do cigarro - não que eu os tenha abandonado em definitivo. Passo todo meu tempo livre com as crianças - e com os livros. Gasto o que, literalmente, não posso, por eles. E sou tão feliz como antes, ou mais. Eu e minha melhor amiga, Patrícia - tenho que especificar porque ela é ciumenta - brincávamos antes que tínhamos uma vida vazia, agora ela é "cheia" demais. Justamente porque sou uma mãe presente viajo sem neuras sem eles, tiro um dia inteiro pra estudar e vou colocar silicone no peito em julho, porque ser mãe não desqualifica o fato de eu ser mulher!! E uma mulher turbinada.
Sim, em mim instinto materno não existe: quando minha primeira filha nasceu eu não sabia carregar, não sabia cortar a unha, não sabia limpar... fui aprendendo com a experiência, como acredito que a maioria das mães. Mas, embora não seja freudiana, meu amigo, instinto materno não existe, mas complexo de Édipo e Electra brincam de pira na minha casa.
Feliz dia das mães, pras mães, pras madrinhas - mães, pras babás-mães, pras tias-mães, pras avós-mães, pros pais que fazem papel de mães e pra todo mundo que curte as datas inventadas pelo capitalismo, como EU.
Hoje quase 10 anos se passaram, tenho dois filhos, e mais do que nunca acredito que NÃO, EU NÃO TENHO INSTINTO MATERNO!!!!! Amo meus filhos, sou uma excelente educadora - tipo super Nany -, sou carinhosa e tudo mais. Mas sim, perco facilmente a paciência, já pensei muitas vezes em "se me arrependi da maternidade", já tirei férias dos filhos, desmamei os dois muito cedo - odeio amamentar e não acredito nas mulheres que dizem que é uma maravilha. Não, não é. A criança fica dependente, a mulher passa a não ter vida própria, fica sempre fedendo porque o leite é pitiu, não dorme mais, o peito despenca - pelo menos o meu despencou, etc. A única coisa pior que amamentar é aniversário de criança!!! E sim, eu assumo. Odeio a hipocrisia de que diz algo que não faz só porque socialmente é o que deveria fazer. Apesar de não ter amamentado e querer férias dos filhos sou uma excelente mãe e totalmente realizada.
Depois que meus filhos nasceram eles viraram prioridade, principalmente depois do segundo. Enjoei das saídas, das bebidas e do cigarro - não que eu os tenha abandonado em definitivo. Passo todo meu tempo livre com as crianças - e com os livros. Gasto o que, literalmente, não posso, por eles. E sou tão feliz como antes, ou mais. Eu e minha melhor amiga, Patrícia - tenho que especificar porque ela é ciumenta - brincávamos antes que tínhamos uma vida vazia, agora ela é "cheia" demais. Justamente porque sou uma mãe presente viajo sem neuras sem eles, tiro um dia inteiro pra estudar e vou colocar silicone no peito em julho, porque ser mãe não desqualifica o fato de eu ser mulher!! E uma mulher turbinada.
Sim, em mim instinto materno não existe: quando minha primeira filha nasceu eu não sabia carregar, não sabia cortar a unha, não sabia limpar... fui aprendendo com a experiência, como acredito que a maioria das mães. Mas, embora não seja freudiana, meu amigo, instinto materno não existe, mas complexo de Édipo e Electra brincam de pira na minha casa.
Feliz dia das mães, pras mães, pras madrinhas - mães, pras babás-mães, pras tias-mães, pras avós-mães, pros pais que fazem papel de mães e pra todo mundo que curte as datas inventadas pelo capitalismo, como EU.
domingo, 5 de maio de 2013
Páginas do meu folhetin.
Sim, então um blog é isto? Ainda não sei se estou fazendo o certo, mas vamos lá.
Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e sinto muita falta delas.
Até que um trauma-romance já na vida adulta me vez criar aversão a diários.
Muito tempo depois vieram os orkuts e facebooks, tão impessoais que não dá vontade de escrever nada. As pessoas são todas, simplesmente, muito felizes... "American of life"... acho que não tenho uma vida suficientemente perfeita pras páginas sociais.
Alias, falando nela, sempre achei que minha vida daria um livro ou que poderia escrever uma coluna tipo sex and the city, depois, muito depois - com a maternidade - comecei a achar minha vida sem graça, igual a de todas as mulheres que aceitam as convenções sociais. Bom, então se nada interessante - folhetinesco a la Francisco Buarque - eu teria pra contar, pra que escrever?
Hoje sei que não sou mais tão descolada, mas continua sendo muito pouco convencional.
Comecei a pensar num blog quando muitas amigas disseram: - "fazendo doutorado, com um filhos recém nascido, é possível? Precisas compartilhar a experiência. ". É possível, mas pra uma CDF é muito difícil aceitar que não tenho mais a mesma disponibilidade. Pra uma mãe é difícil aceitar que gosto mais de estudar do que da maternidade. Pra malhadora, é difícil ainda não estar em forma.
Muito prazer.
Estou na casa dos 30, tenho dois filhos, dois empregos, pouco tempo, muitas neuroses.
Faço doutorado em História, sou marxista, materialista, fascinada pelas revoluções e pesquisadora de literatura paraense. Mas destoo totalmente dos marxistas. No momento, além de Raymond Williams e Thompson, tenho um seminário sobre escola social inglesa, só penso em "silicone no peito". Por isso acho dificílimo me definir, então fico com uma resposta que dei pra um professor na psicologia. Sim, sou uma historiadora que também fez psicologia, por diversão. Ele disse: - Maíra, eu te acho uma moça muito safa, mas só vou realmente te levar a sério quando "embarangares." Eu:- Prof. É mais fácil eu "emburrecer".
Então trataremos de assuntos variados, de boa forma, silicone, cabelo, botox à literatura, Proust, Rilke, Marx, Thompson, Skinner, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, Ruy Barata...
Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e sinto muita falta delas.
Até que um trauma-romance já na vida adulta me vez criar aversão a diários.
Muito tempo depois vieram os orkuts e facebooks, tão impessoais que não dá vontade de escrever nada. As pessoas são todas, simplesmente, muito felizes... "American of life"... acho que não tenho uma vida suficientemente perfeita pras páginas sociais.
Alias, falando nela, sempre achei que minha vida daria um livro ou que poderia escrever uma coluna tipo sex and the city, depois, muito depois - com a maternidade - comecei a achar minha vida sem graça, igual a de todas as mulheres que aceitam as convenções sociais. Bom, então se nada interessante - folhetinesco a la Francisco Buarque - eu teria pra contar, pra que escrever?
Hoje sei que não sou mais tão descolada, mas continua sendo muito pouco convencional.
Comecei a pensar num blog quando muitas amigas disseram: - "fazendo doutorado, com um filhos recém nascido, é possível? Precisas compartilhar a experiência. ". É possível, mas pra uma CDF é muito difícil aceitar que não tenho mais a mesma disponibilidade. Pra uma mãe é difícil aceitar que gosto mais de estudar do que da maternidade. Pra malhadora, é difícil ainda não estar em forma.
Muito prazer.
Estou na casa dos 30, tenho dois filhos, dois empregos, pouco tempo, muitas neuroses.
Faço doutorado em História, sou marxista, materialista, fascinada pelas revoluções e pesquisadora de literatura paraense. Mas destoo totalmente dos marxistas. No momento, além de Raymond Williams e Thompson, tenho um seminário sobre escola social inglesa, só penso em "silicone no peito". Por isso acho dificílimo me definir, então fico com uma resposta que dei pra um professor na psicologia. Sim, sou uma historiadora que também fez psicologia, por diversão. Ele disse: - Maíra, eu te acho uma moça muito safa, mas só vou realmente te levar a sério quando "embarangares." Eu:- Prof. É mais fácil eu "emburrecer".
Então trataremos de assuntos variados, de boa forma, silicone, cabelo, botox à literatura, Proust, Rilke, Marx, Thompson, Skinner, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, Ruy Barata...
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