Sim, então um blog é isto? Ainda não sei se estou fazendo o certo, mas vamos lá.
Na adolescência inteira tive agendas que eram diários e sinto muita falta delas.
Até que um trauma-romance já na vida adulta me vez criar aversão a diários.
Muito tempo depois vieram os orkuts e facebooks, tão impessoais que não dá vontade de escrever nada. As pessoas são todas, simplesmente, muito felizes... "American of life"... acho que não tenho uma vida suficientemente perfeita pras páginas sociais.
Alias, falando nela, sempre achei que minha vida daria um livro ou que poderia escrever uma coluna tipo sex and the city, depois, muito depois - com a maternidade - comecei a achar minha vida sem graça, igual a de todas as mulheres que aceitam as convenções sociais. Bom, então se nada interessante - folhetinesco a la Francisco Buarque - eu teria pra contar, pra que escrever?
Hoje sei que não sou mais tão descolada, mas continua sendo muito pouco convencional.
Comecei a pensar num blog quando muitas amigas disseram: - "fazendo doutorado, com um filhos recém nascido, é possível? Precisas compartilhar a experiência. ". É possível, mas pra uma CDF é muito difícil aceitar que não tenho mais a mesma disponibilidade. Pra uma mãe é difícil aceitar que gosto mais de estudar do que da maternidade. Pra malhadora, é difícil ainda não estar em forma.
Muito prazer.
Estou na casa dos 30, tenho dois filhos, dois empregos, pouco tempo, muitas neuroses.
Faço doutorado em História, sou marxista, materialista, fascinada pelas revoluções e pesquisadora de literatura paraense. Mas destoo totalmente dos marxistas. No momento, além de Raymond Williams e Thompson, tenho um seminário sobre escola social inglesa, só penso em "silicone no peito". Por isso acho dificílimo me definir, então fico com uma resposta que dei pra um professor na psicologia. Sim, sou uma historiadora que também fez psicologia, por diversão. Ele disse: - Maíra, eu te acho uma moça muito safa, mas só vou realmente te levar a sério quando "embarangares." Eu:- Prof. É mais fácil eu "emburrecer".
Então trataremos de assuntos variados, de boa forma, silicone, cabelo, botox à literatura, Proust, Rilke, Marx, Thompson, Skinner, Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes, Ruy Barata...
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