Essa semana meu projeto do doutorado foi a bola da vez. O debatedor foi o meu ex querido orientador Aldrin Moura Figueiredo, que é tão brilhante que prefiro que ele não seja meu orientador no doc. porque vou ficar mais neurótica ainda querendo ler um terço do que ele leu.
Dentre inúmeras e maravilhosas contribuições ele me deixou muito feliz em reafirmar que meu projeto era importante, interessante e viável - passei a questionar tudo isso após a sabatina que peguei da banca antes da aprovação, só lembrando que eu estava com 7 meses de grávida - mas que eu deveria refinar minha leitura, o que quer dizer que além do marxistas eu deveria enveredar pela hermenêutica e pela fenomenologia, já que quero trabalhar a percepção dos literatos modernistas paraenses sobre a cidade. Sim, esse projeto é meu orgulho e meu xodó, de tudo que estudei até hoje nada me dar mais prazer do que ler a Cidade através da Literatura, e a cidade nos ano de 1920.
Conheço muito pouco de hermenêutica. Uma das abordagens da psicologia fez eu ler muito fenomenologia, mas logo me encantei pelo Sartre e foquei no Existencialismo engajado. Algo mais próximo do que o Aldrin me indicou eu li no Benedito Nunes, um livrinho dele sobre o tempo, e desde terça-feira pra onde olho ou no que penso me lembro do tempo e do livro e que eu preciso estudar.
O tempo me serviu pra muitas coisas. Fico pensando no quanto, um tempo depois, alguns comportamentos ficam parecendo tão bobos... Quanto tempo perdemos brigando com namorados ou maridos por amenidades do dia a dia, ou quanto tempo perdemos nos afastando de pessoas queridas por falta de tempo, ou quanto o tempo nos amadurece pra que nos leve a reconhecer o quanto nos perdemos nas nossas próprias inconsequências. Nesse sentido acho o tempo um grande aliado, ele não só não é o senhor dos enganos como ele nos mostra que é o senhor da luminosidades.
Ai, tem coisas que o tempo, ou seja, um distanciamento temporal, fez com que eu quisesse que o tempo apagasse de uma vez por todas: gente, usei calça da gang, dancei axé horrores, fui fã do Nosso Tom, já fui pra um pagode de saída de praia, desfilei na finada Spectron, quebrei um dente em Algodoal, e já tive cada ressaca de dor de cabeça de gim e moral que só o tempo pra me salvar e algumas pessoas pra me perdoar...
Também acho que fiquei melhor em muitos aspectos com o tempo: dou um valor maior à família, à saúde, aos amigos, ao outro de modo geral; fiquei mais disciplinada, determinada, focada; incrivelmente acho que a minha alergia melhorou; também me tornei uma mãe e uma esposa melhor com o tempo - mas não posso dizer a mesma coisa de como dona de casa, as aulas do São Paulo de "educação para o lar" não serviram pra nada, e é verdade, eu tinha essa matéria na sexta série. Esteticamente não tenho dúvidas que fiquei melhor com o tempo, nada que uma excelente cirurgiã e uma cabeleireira top não resolvam.
Mas em algumas coisas eu acho que piorei: tô cada vez mais medrosa - odeio ver jornal, violência, e os horrores contra criança, e sei que passo o medo pros meus filhos; o tempo me fez mais insegura com o espelho, embora me ache melhor que antes nunca é suficiente - sempre acho que tem algo pra arrumar - antes eu era bem mais resolvida; acho que fiquei mais ciumenta com o tempo também, se bem que não sei não, eu sempre fui muitooooooooooo ciumenta, faz parte do meu charme mulher-neurótica-do século XXI. Meu querido marido diz que mulher bonita pode ser neurótica e um pouco chata, às vezes. Aí chegando num ponto, acho que fiquei mais chata pra um monte de coisas depois dos 30... "Quando a idade chegar não tem como não deixar transparecer..." A chatice tem a ver com as exigências, com muitas novas exigências...
Quando vejo meus filhos, penso muito no tempo. Lembro da minha infância mega feliz e revivo muito com eles, lembro da minha adolescência sem crises existenciais - mas com muito axé - dos meus anos de Universidade Federal e Universibar, do meu primeiro emprego no Sophos, das farras em Algodoal e Bragança, de tantas coisas bacanas que vivi e tantos amigos que fiz na vida que não consigo lembrar de nenhuma fase ruim, só de muitas histórias pra contar durante todo esse tempo...
Pretendo estudar hermenêutica, decadentismo na cultura ocidental e lembrar muitas histórias felizes, que marcaram as rugas que "detesto" no meu rosto... Nada que um botox não vá resolver daqui a algum tempo, já sobre as calças da gang, ficaram lá bem atrás, num tempo esquecível :-).
Lindo, Maíra :)
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